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domingo, fevereiro 28

Foco Narrativo no Romance






Na publicação anterior de “Dicas de Escrita” delineei o romance monofônico e o romance polifônico. Hoje vou falar um pouco sobre o foco narrativo exercido no romance. Mas o que é exatamente o foco narrativo?
Pois bem, o foco narrativo ou melhor, o ponto de vista tem como principal papel a perspetiva através do qual está a ser contada a história. Ou seja, define a posição do narrador ou do eu-lírico sobre a história.
Os pontos de vista mais comuns são o narrador-observador, o narrador-personagem e o narrador-omnisciente.

O narrador-observador caracteriza-se por contar a história pelo lado de fora, na 3º pessoa, sem participar ativamente na trama. Ele conhece os acontecimentos, e como não participa deles consegue garantir uma neutralidade e uma imparcialidade que os outros tipos de narrador não conseguem. Apresenta os factos e as personagens como os vê, sem qualquer conhecimento do íntimo dos mesmos.

O narrador-personagem conta a história na 1º pessoa pois participa ativamente junto das outras personagens. A sua relação com os outros elementos da narrativa é bastante íntima, caminhando juntos até ao final da história. Como a história é contada sobre o ponto de vista pessoal da personagem, os acontecimentos narrados estão sujeitos a uma marca característica emocional e subjetiva. O leitor sente-se dentro da história e muito mais íntimo com as personagens graças a este tipo de narração própria.

Por fim, o narrador-omnisciente caracteriza-se por contar a história como se fosse um Deus, pois sabe tudo sobre tudo, seja sobre a história que está a ser contada, seja sobre as personagens – conhece os seus sentimentos, emoções e pensamentos, o passado e o futuro. Este narrador pode saltar de personagem em personagem e ainda narrar acontecimentos que estão a ocorrer ao mesmo tempo, em lugares distintos. Pode fazer uso da 1º ou 3º pessoa, aquela que mais lhe convir.
Ou seja, este narrador pode fazer tudo de tudo, para ele nada é impossível.


Então, qual é o ponto de vista com que mais te identificas?
Deixa nos comentários a tua opinião, e também aquilo que gostarias de ver aqui no blog. Vou gostar de saber.

Bem, por hoje é tudo.
Um abraço e até à próxima.


Borboleta Voadora
😉😉😉

sexta-feira, fevereiro 19

O Romance Monofônico e o Romance Polifônico






Nas minhas publicações anteriores de “Dicas de Escrita” delineei a definição de romance, a sua origem e as suas principais características. Hoje vou falar de um assunto pouco citado, o romance monofônico e o romance polifônico.
Diz-me uma coisa, já tinhas ouvido falar deste modelo de romance?

Pois bem, tenho de confessar, para mim foi uma novidade, já que mesmo que seja uma ação comum, a sua definição fica um pouco perdida… Então, vamos lá!

O romance monofônico caracteriza-se por concentrar a história numa só voz, numa só personagem que absorve os discursos das demais, mantendo a autonomia plena para si mesma. A história desenrola-se nessa mesma voz.

Enquanto o romance polifônico divide-se em várias vozes que se cruzam. As personagens são autónomas, fazem uso da sua perspetiva, pensamento, comportamento, voz e posição para realizarem-se na história. Cada uma das personagens procede livremente no seu tempo/espaço, não se anulam, complementam-se harmoniosamente entre si numa história única como um todo.

Então, o que achas disto? Já conhecias?



Bem, por hoje é tudo…
Se tiveres algo a acrescentar deixa nos comentários, vou gostar de saber a tua opinião sobre o assunto.
Um abraço e até à próxima.


Borboleta Voadora
😊😊😊

terça-feira, abril 21

As Características do Romance




Nas minhas publicações anteriores de “Dicas de Escrita” defini o romance como um texto literário que possui características próprias que o moldam e o diferem do conto e da novela literária. Hoje vou aprofundar-me um pouco mais ao esclarecer as suas principais características.

O romance é um texto narrativo em prosa de longa extensão, normalmente dividido em capítulos e/ou em partes. E ao contrário do que acontecia no passado, o romance não possui metrificação, característica própria dos textos poéticos (no passado, o romance era um texto em poesia).

Os acontecimentos que ocorrem ao longo da narrativa podem ou não ser fictícios, tal como as personagens que os vivem inteiramente. O enredo do romance é constituído por isso mesmo, acontecimentos que se interligam e caminham, através de um conflito complexo, até ao final.

O tema é resolvido principalmente pelo conflito central da história, apesar de muitos outros conflitos poderem ser encontrados em segundo plano. O tema pode ser trabalhado de diversas formas pelo romancista, e pode ser camuflado pelos acontecimentos e pelas ações das personagens.

Normalmente, as personagens do romance são profundas e complexas. São o elemento da narrativa que faz o enredo seguir em frente, e podem ser narradas tanto pelo ponto de vista físico como psicológico (pensamentos, sentimentos), dependendo do tipo de narrador presente na história. As personagens interagem entre si, vivendo dramas sociais, sentimentais, políticos e financeiros. Cada personagem possui a sua função na narrativa, que após concluída pode sair e não ser mais encontrada.
O narrador é aquele que conta a história. Pode fazer parte dela, como uma personagem, seja ela principal ou não, ou então contar a história como um “Deus”. Saber mais sobre o narrador aqui.

O tempo é definido inteiramente pelo romancista, a história pode ocorrer em qualquer época do nosso universo ou numa época total ou parcialmente inventada.

Os acontecimentos que aparecem podem ser ou não contados pela ordem cronológica, ou seja, no tempo em que aconteceram. A sequência temporal pode ser reconstituída a favor de uma melhor compreensão e um ritmo mais limpo.

As descrições no romance costumam ser detalhadas, de forma a proporcionar ao leitor uma imagem inteira do que esta a acontecer.

Por fim, o ritmo acentua-se na linguagem e na passagem dos acontecimentos. O narrador pode usar a sequência dos acontecimentos para acentuar o ritmo da história. Isso proporciona ao leitor e ouvinte uma harmoniosa passagem da vida dos personagens.



Bem, por hoje é tudo.
Um abraço e até à próxima.


Borboleta Voadora
😊😊😊

sábado, fevereiro 29

A Origem do Romance





Na minha publicação anterior de “Dicas de Escrita” defini o romance como uma narrativa literária. Hoje vou falar um pouco sobre a sua origem.

O romance teve início a partir do romantismo, um movimento artístico, político e filosófico que surgiu nas últimas décadas do século XVIII na Europa; e durou grande parte do seculo XIX.

Este movimento tinha como principal característica uma visão contrária ao racionalismo e ao iluminismo, procurando uma visão nacionalista que viria a consolidar os estados nacionais europeus. No entanto, fora o realismo a sua base principal, pois só este permitia uma descrição minuciosa dos problemas sociais da época.

Escrito numa tentativa de parodiar a novela de cavalearia, por Miguel de Cervantes, no início do século XVII, Dom Quixote de La Mancha é considerado o precursor do romance moderno, que mais tarde veio substituir a epopeia (que desapareceu no século XVIII, com a revolução industrial).

O romance chegou até nós, nos dias de hoje, com Balzac e muitos outros célebres, e durante todo o seu percurso sofreu alterações e teve vários altos e baixos, como a crise dos anos 1950. Hoje apresenta-se como uma obra complexa e de ascensão.



Por hoje é tudo.
Um abraço e até à próxima.



Borboleta Voadora
😉😉😉

quarta-feira, fevereiro 19

O Romance




Quando ouves a palavra «romance», que imagem surge na tua mente? Duas pessoas à beira mar a comer um gelado? A beijarem-se e a fazer planos para o futuro? Não vou dizer que estás totalmente fora do assunto, mas o «romance» de que estou a falar provem de uma outra origem, ou seja, é um texto narrativo.

Neste momento devo ter feito um nó na tua cabeça, ou talvez não, mas se for o caso não te preocupes, eu vou ajudar-te a compreender onde quero chegar.

O termo «romance» de que estou a falar refere-se a um género literário que pode ou não possuir romance, ou seja, uma relação afetuosa entre duas pessoas. Este termo pode referir-se a uma composição poética popular, histórica ou lírica em que o autor é geralmente desconhecido ou a uma narrativa literária moderna, em prosa. E é neste último que irei focar-me.

A palavra «romance» possui duas suposições de origem: da palavra romans, do vocabulário da língua provençal ou da palavra romanice, a mais possível em termos teóricos e práticos, que designava na altura qualquer obra escrita com romanço, a língua das regiões ocupadas pelos romanos.

Mas em que consiste realmente o romance?

O romance nada mais é do que uma obra literária de narrativa extensa, em prosa, maior que o conto (narrativa curta) e a novela literária (narrativa média). Possui personagens complexos que interagem e vivem diferentes conflitos e factos dramáticos, evoluindo numa temporalidade única de uma história total ou parcialmente ficcional (a história em si pode conter factos reais).

No romance, as descrições são bastante detalhadas, com uma liberdade exclusiva do romancista e a linguagem, normalmente, adapta-se à época (tempo) e ao enredo que está a ser construído. O romance possui vários tipos, como a policial, histórica e realista.

Nas minhas publicações anteriores de “Dicas de Escrita”, distingui vários tipos de texto literário, entre eles podes encontrar o conto, a crónica, o poema, a novela, entre outros, e ao verificares vais concluir que o romance possui as suas próprias características, tal como qualquer outro texto. Nas minhas próximas publicações irás aprender mais sobre o romance como texto literário.

Bem, por hoje é tudo. Vemo-nos em breve.


Um abraço e até à próxima.




Borboleta Voadora
😉😉😉

segunda-feira, dezembro 17

Como Escrever uma Novela Literária?




Vou escrever uma novela literária, mas por onde começo? Escrever uma novela não é igual a escrever um conto? Pois bem, são parecidos, não iguais.
😉😉😉

  1. Lê novelas: acredito que desta já estavas á espera, pois não podes escrever sobre um assunto sem o conhecer primeiro. As características típicas de um determinado texto devem ser levadas em conta. Podes consultar as características da novela literária aqui.
  2. Escolhe um género: podes escolher terror, comédia, romance, drama, etc. ou englobar vários na tua história, apenas deves ter em conta que mesmo dentro de vários géneros existe sempre aquele que se destaca dos demais.
  3. Escolhe um tema: na tua história podes abordar o tema que quiseres, existem muitos por ai, basta prestar atenção às notícias (sequestros, racismo, álcool, drogas, doenças, fobias, assaltos, violência, religião, etc.).
  4. Cria e desenvolve um enredo principal: organiza as tuas ideias num papel ou arquivo, não descartes nenhuma (pode ser útil mais tarde). O enredo pode ser o mais simples que encontrares, como por exemplo: a Ana apaixonou-se pelo irmão gémeo da sua melhor amiga. Aos poucos conseguirás incluir mais conteúdo proveitoso e criativo. Não desesperes logo no início por não possuíres a história toda na cabeça. Relaxa! Tu tens tempo…
  5. Cria enredos paralelos, ligados ao enredo principal: depois de criares o enredo principal, outros enredos (enredos secundários) devem ser criados. Estás a escrever uma novela, não um conto. Os enredos paralelos devem estar de alguma forma ligados ao enredo principal. Um homem obcecado por uma estatueta medieval invade a casa de Ana e acaba por sequestrar o seu pai, por exemplo. A história é tua, esta nas tuas mãos.
  6. Desenvolve as tuas personagens: quem é a tua personagem principal? É homem ou mulher? Qual é a sua idade, profissão e aparência física? Possui alguma mania ou característica única? Qual é o seu objetivo? Lembra-te, as personagens que encontras nas histórias são como nós, têm uma alma. Podes atribuir-lhe o que quiseres, qualidades, defeitos, atitudes, tudo o que desejares, mas não te esqueças que deves apenas dar-lhe aquilo que é necessário para o desenvolvimento da história.
  7. Decide o tempo e o espaço: a tua história desenrola-se em que época da história? No presente, no passado ou no futuro? Acontece neste mundo, ou num outro criado por ti? Lembra-te, tanto o tempo como o espaço devem estar sincronizados, ou seja, devem estar ligados harmoniosamente. E mais uma coisa, cada época possui características culturais, sociais e políticas específicas, não te esqueças que as deves respeitar!
  8. Cria um conflito/objetivo: em qualquer história vais encontrar um conflito ou um objetivo que o personagem tem de ultrapassar, resolver ou obter. Ele pode ser o que tu quiseres, mas não te esqueças que nada na vida é fácil, deves criar obstáculos para dificultar o personagem.
  9. Revisa o enredo e as ideias anexadas (planeamento): agora que já tens tudo apontado, é hora de fazer uma revisão – cortar ou acrescentar aquilo que aches estar a mais ou em falta. Tudo deve conectar-se e possuir uma lógica aceitável.
  10. Escreve o teu primeiro esboço: quando começares a escrever a tua novela literária não te preocupes com os erros nem com a pontuação. Escreve apenas e até ao fim. Não pares para corrigir nada. Farás isso no próximo ponto! E lembra-te, és livre para escreveres quando e como quiseres.
  11. Só o essencial: a novela é uma narrativa curta, logo escreve apenas aquilo que é essencial, não te percas em explicações. As informações que desejas passar ao leitor não precisam estar na primeira ou na segunda página.
  12. Revisa a tua novela: depois de terminada, não faças a correção logo de seguida. É um conselho que te dou, pois a tua mente ainda está focada na história e por isso, não conseguirás encontrar erro algum. Já passei por isso… Deves deixa-la descansar por pelo menos uma semana, para teres uma visão diferente daquilo que escreveste. Podes fazer a correção por partes, por fases ou num todo. Fica a teu critério! Podes também pedir sugestões e conselhos a pessoas de confiança (leitores beta). Não deixes nada por corrigir, sê bastante critico(a) com o teu trabalho.
  13. Procura uma forma de publicação: depois de pronta, não guardes na gaveta. Procura editoras ou sites próprios para publicares a tua novela. Não será fácil, mas não é impossível. Acredita em ti e na tua história!

EXTRA:
Brinca com as palavras, liberta-te. É a tua história e ela jamais deve tornar-se um fardo, uma obrigação. Deve ser um momento de prazer. Diverte-te e boa sorte!



Bem… Por hoje é tudo!
Um abraço e até à próxima.


Borboleta Voadora
😊😊😊

sábado, novembro 24

As Novelas de Cavalaria




O que te vem à cabeça quando ouves “novelas de cavalaria”? Cavaleiros montados nos seus cavalos? Guerreiros que lutam pela vitória em grandes batalhas? Estilos e costumes medievais? Honra e morte ligados por crenças religiosas?
Várias imagens surgem na nossa mente, aprofundadas nas nossas crenças, mas a realidade pode revelar-nos algo bem diferente. Ora vê e confirma…
😉😉😉

As novelas de cavalaria, também conhecidas por “romances de cavalaria”, correspondem a um género literário que teve origem na Idade Média (século V a XV), mais precisamente durante os movimentos literários de Trovadorismo e Humanismo.
É considerada uma das manifestações literárias em prosa mais ricas da Península Ibérica (que na altura, abrangia Portugal, Espanha, Gibraltar, Andorra e uma pequena fração do território da França e do norte dos Pirenéus).
Acredita-se que esta prosa medieval teve origem na França e/ou na Inglaterra, e que se espalhou por outros territórios. Portugal, Espanha e Itália foram alguns dos outros países onde a novela de cavalaria se popularizou.
As novelas de cavalaria são narrativas épicas que retratam aventuras fantásticas vividas por um cavaleiro medieval, na qual enfrentam terríveis batalhas em nome de Deus e por diversas vezes, pelo amor impossível de uma jovem donzela.
Muito sangue era derramado nestas prosas medievais, provenientes de poemas épicos e de canções de gesta.
Divididas em capítulos, a sua maior característica era a representação do coração destemido, leal e honrado do cavaleiro, os reais códigos de honra e de conduta cavaleiresca. Tinham como principal missão estabelecer e lutar pela justiça e claro, obter a glória.
Mas não lutavam apenas em batalhas, enfrentavam também monstros, animais perigosos e destemidos, prendiam reis que não tinham a conduta justa perante o seu povo, lutavam em torneiros, entre outras coisas, contudo, o final das novelas de cavalaria costumavam possuir um final trágico e infeliz. O cenário usado era muitas vezes fictício, como terras fantásticas e míticas.
Na época, as novelas de cavalaria circulavam apenas pela fidalgaria e pela realeza, pois o povo não tinha condições nem tempo para isso.
Entre os diversos exemplos temos o Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, a Demanda do Santo Graal e a História de Merlim.

As novelas de cavalaria podem ser classificadas em três momentos da história:
  • No Ciclo Bretão ou Arturiano, que foi desenvolvido na Inglaterra, onde o Rei Arthur e os seus Cavaleiros são as personagens principais;
  • No Ciclo Carolíngio, onde Carlos Magno e os seus Cavaleiros são as personagens principais da história (França);
  • No Ciclo Clássico, onde as personagens introduzidas nestas narrativas pertencem à Antiguidade Clássica.

RESUMINDO:
  • Origem: Idade Média;
  • São narrativas extensas, divididas em capítulos;
  • Retratam aventuras fantásticas e heroicas;
  • As personagens são cavaleiros, heróis e donzelas;
  • Possuem temas heroicos, mitológicos e épicos;
  • Possuem a idealização da mulher e do amor impossível e profundo;
  • Tem uma visão teocêntrica, ou seja, Deus é o centro do mundo e de tudo o que existe e acontece;
  • Retrata acontecimentos e costumes épicos;
  • Proveem da tradição oral;
  • Possui um caracter religioso, mítico e simbólico.

E então, o que me dizes? Estava perto do que imaginavas ser uma novela de cavalaria? O que mais te surpreendeu? Gostarias de escrever uma novela deste tipo?



Bem, eu fico por aqui…
Deixa a tua opinião nos comentários.
Um abraço e até à próxima.


Borboleta Voadora
😊😊😊

sexta-feira, novembro 9

Tipos de Novelas Literárias




Numa das minhas publicações anteriores de “Dicas de Escrita” delineei cada uma das principais características da novela literária. Hoje vamos aprender um pouco sobre alguns dos vários tipos que existem. Então, conheces algum tipo em específico?
😉😉😉


Tipos de Novelas Literárias:

  • Novelas de Cavalaria: este tipo de novela narra grandes aventuras e atos corajosos de um ou mais cavaleiros.
  • Novelas Picarescas: este tipo de novela é caracterizado por narrar episódios aventureiros de um herói excêntrico ou de má reputação.
  • Novelas Realistas: neste tipo de novela, a realidade social é a principal característica. Possui personagens complexas que interagem entre si e que se comportam consoante a sua classe social (rico, pobre, príncipe, plebeu, etc.). Os acontecimentos quotidianos são o foco principal da ação.
  • Novelas Sentimentais ou Bucólicas: este tipo de novela caracteriza-se por se centrar nos sentimentos expressos pelas personagens, como o amor, a inveja, a tristeza, o ciúme, entre outros. E as ações das personagens são cometidas consoante esses mesmos sentimentos, e normalmente possui um final feliz, com a resolução do conflito da história.
  • Novelas Religiosas: neste tipo de novela, os costumes e as crenças religiosas são o centro das ações das personagens. O tema central da história é uma religião específica (cristianismo, budismo, etc.).
  • Novelas de Aventura: neste tipo de novela, a aventura e os seus perigos são o foco principal da narrativa. Podem conter também mistério, fantasia, terror, entre outros.
  • Novelas Históricas: este tipo de novela tem como particularidade acontecer numa época diferente àquela em que foi escrita (idade média, por exemplo).
  • Novelas Policiais e/ou de Mistério: neste tipo de novela, a história esta envolta num grande mistério ou crime, que normalmente é resolvido por um detetive ou outra entidade competente.
  • Novelas Góticas: normalmente, este tipo de novela literária possui terror, suspense, morte, mistério, horror, fantasmas e/ou outros elementos que caracterizam o ambiente de medo e pavor.
  • Novelas de Fantasia: neste tipo de novela, a magia, os seres fantásticos/sobrenaturais e as ações sobrenaturais são o centro da história.
  • Novelas de Ficção-Cientifica: neste tipo de novela, as consequências do avanço tecnológico são o seu tema principal, como viagem no tempo, luta de robôs, inteligência artificial, extraterrestres, invasões espaciais, universos paralelos, cenários apocalípticos, entre outros.
  • Novelas Psicológicas: neste tipo de novela, o estado e a evolução psicológica da personagem é o centro da história. Pode ou não retratar a vida inteira da personagem em questão.


Se souberes de algum tipo que não tenha citado, deixa-o nos comentários.
Vou gostar de o conhecer!
Como sabes, estou aqui para aprendermos em conjunto e por isso, se houver algo na qual não estejas de acordo, não hesites em dizer-me (deixa nos comentários).
Na minha próxima publicação de “Dicas de Escrita” irei falar um pouco mais sobre um dos tipos que apresentei em cima.
Se quiseres, deixa a tua sugestão: qual gostarias de ver aqui trabalhada?



Bem… Por hoje é tudo!
Um abraço e até à próxima.


Borboleta Voadora
😊😊😊

terça-feira, outubro 30

As Origens da Novela Literária




A origem da palavra novela provem do latim “novella”, de “novellus, a, um”, que por sua vez é um adjetivo originário de “novus, a, um”, que significa jovem, novo, recente. Só mais tarde é que passou a ser usada para indicar a narrativa intermédia na qual conhecemos hoje, a novela literária.

Como disse na minha publicação anterior, a novela literária caracteriza-se por ser uma narrativa de tamanho intermédio, de 20 mil a 40 mil palavras, que acompanha a história ou um certo acontecimento de uma determinada personagem, num enredo simples e de ritmo acelerado e num tempo-espaço linear (o relógio e o calendário).

Embora a novela literária remonte a antiguidade clássica (ou um pouco mais), só nasceu verdadeiramente durante a Idade Média, numa resposta desejosa de aventuras. As novelas literárias de cavalaria foram as primordiais, seguidas das novelas sentimentais e bucólicas. Após a época medieval e renascentista, a novela literária sofreu um declínio, ressurgindo no século XIX, quando a burguesia procurou algo leve e divertido para ler. Foi nessa altura que surgiu os outros tipos de novela literária, como as novelas picarescas, as novelas histórias e as novelas de mistério e de policial.

As novelas históricas de Walter Scott (1771 a 1832), o criador do verdadeiro romance histórico, tiveram o seu auge no período romântico do século XIX, enquanto que os autores das novelas de mistério e de policial, como Arthur Ignatius Conan Doyle (1859 a 1930), o criador do detetive Sherlock Holmes, como Agatha Mary Clarissa Christie (1890 a 1976), só se destacaram nos finais do mesmo século, perdurando até aos dias de hoje. A novela picaresca, a mais provável herdeira da novela sentimental, teve também um grande sucesso, que depressa de diferenciou, o que levou a que procurassem novas formas de ela chegar ao público.

Foi por essa altura que surgiu as primeiras novelas escritas nos jornais, como se fossem cronicas, e mais tarde vieram a ser transmitidas por via rádio, as conhecidas novelas radiofônicas. Com o avanço da tecnologia e dos tempos, desapareceram da rádio, ressurgindo transmitidas pela televisão, como as vemos hoje.

A novela literária, hoje, não é muito famosa a nível mundial como o conto e o romance, por não haver limites concretos na sua estrutura e nas suas características, e também por outras diversas razões, mas ainda existe quem as escreva e publique, para um público-alvo específico. Nas minhas próximas publicações de “Dicas de Escrita” irei ajudar-te a escrever uma novela literária, para o caso de quereres tentar.


Exemplos de Novelas Literárias:
  • A Metamorfose, de Franz Kafka.
  • A Festa no Castelo, de Moacyr Scliar.
  • Aura, de Carlos Fuentes.
  • O Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux.
  • A Fera na Selva, de Henry James.
  • O Amante, de Marguerite Duras.
  • Um Copo de Cólera, de Raduan Nassar.
  • O Náufrago, de Thomas Bernhard.
  • Morte em Veneza, de Thomas Mann.
  • O Conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago.
  • A Volta do Parafuso, de Henry James.



Bem… Por hoje é tudo!
Um abraço e até à próxima.


Borboleta Voadora
😊😊😊

domingo, outubro 28

As Características da Novela Literária




Na minha publicação anterior de “Dicas de Escrita” defini e delineei a diferença que existe entre a novela literária e a novela que passa na televisão (a telenovela). Hoje vou aprofundar um pouco mais sobre este assunto, ao expor as principais características da novela literária. Mas são assim tão diferentes dos demais textos literários?
Pois bem, a questão está muito para além disso. Ainda hoje é difícil definir os limites da novela literária, pois por diversas vezes já foram encontradas novelas apelidadas de contos e romances apelidados de novela ou vice-versa.
A seguir vou apresentar-te as principais características da novela literária para que possas tirar as tuas próprias conclusões.


Narrativa
A narrativa é de tamanho intermédio, de 20 mil e 40 mil palavras (50 a 100 páginas)
Ação
A ação é polivalente, ou seja, possui uma pluralidade dramática. Vários enredos são desenvolvidos ao longo da narrativa, que a princípio parecem estar independentes uns dos outros, mas que ao longo da história se ligam num só enredo, na ação principal da história (acontecimento), para depois caminhar para o desfecho. Aqui, nenhum dos enredos pode ser descartado ou a ação principal perde o sentido.
Enredo
Ao contrário do que acontece no romance, o enredo é relativamente simples e possui um ritmo acelerado. Todos os acontecimentos e ações das personagens são essenciais para que a história seja contada.
Sucessividade
O enredo desenvolve-se sequencialmente, embora possa haver alterações ao longo da história.
Tempo
O tempo é linear, ou seja, segue o relógio e o calendário. O novelista não pode voltar no tempo, nem viajar para o futuro, e mesmo que tenha acompanhado a vida do personagem desde o nascimento, só conta aquilo que realmente importa para o desenvolvimento da ação principal – o passado é reduzido em breves relatos.
Espaço
O espaço está inteiramente relacionado com o tempo. Ao longo da história, vários cenários podem ser apresentados ao leitor, que podem ou não sofrer alterações consoante as ações das personagens. E se o novelista assim desejar, o espaço pode ser mudado a qualquer altura da história, é livre para o fazer.
Personagens
Não existe qualquer restrição no número de personagens que a novela literária pode ter, mesmo que normalmente o seu número seja reduzido, e ao longo da história, algumas personagens podem ser acrescentadas e até mesmo retiradas, tudo em função da história que está a ser contada.
Linguagem
A linguagem é relativa, ou seja, depende do tempo/época em que a história está a decorrer. Se a história situar-se na Idade Média, a sua linguagem irá ser mediante a essa altura, e assim sucessivamente. Existem termos temporais que hoje já não são utilizados – exemplo: urbes – cidades. E se a história situar-se numa região específica, com termos característicos, esses termos também deverão ser utilizados. A novela literária pode, ainda, fazer uso de metáforas simples, de compreensão fácil, e de outras figuras de estilo (pouco elaboradas).
Narração, Diálogo e Descrição
A narração na novela literária possui uma grande importância, seguida do diálogo das personagens. A descrição, por outro lado, possui uma importância mínima, podendo até nem existir.



Bem… Por hoje é tudo!
Um abraço e até à próxima.


Borboleta Voadora
😊😊😊

domingo, outubro 14

A Novela Literária




Acredito que a palavra «novela» já não é nova para ti. Mas sabias que as novelas que vês transmitidas na televisão não são na verdade novelas?
Devo estar, neste momento, a pregar-te um grande choque, ou não, mas esta é a mais pura das verdades. Hoje vou ajudar-te a compreender a diferença que existe entre a novela literária e a novela que vês na televisão.
😉😉😉

As telenovelas (ou novelas televisivas) são histórias de ficção transmitidas pela televisão, com o objetivo de entreter o público. Geralmente, a história é dividida em episódios que seguem uma ordem planificada, e a sua trama é na maior parte das vezes muito previsível, exceto o seu desfecho. Ou seja, sabemos como vai iniciar a história, seguindo um certo padrão, mas com o desenrolar do enredo, o seu desenvolvimento toma caminhos imagináveis e o seu final é um autêntico mistério. Durante a trama, novas personagens podem surgir, como também outras podem desaparecer, consoante a necessidade da história, chegando assim a um clímax e a um final. Normalmente, a trama é acessível ao público em geral.
📺📺📺

A novela literária, por outro lado, nada tem a ver com a telenovela. Está relacionada com a literatura, tal como o conto e o romance. A novela literária consiste numa extensão narrativa média que centra-se entre o conto e o romance, ou seja, a novela é maior que o conto, com uma contagem média de 50 a 100 páginas, de 20 mil e 40 mil palavras, e menor que o romance.
Caracteriza-se por apresentar uma história simples, com um número relativamente baixo de personagens. A história centra-se apenas na ação de um único personagem, o central da história, algo que não acontece nas telenovelas, onde acompanhamos várias tramas ao mesmo tempo. Neste aspeto, a novela literária é parecida com o conto.
Podemos então concluir que em comparação ao conto e ao romance a novela literária expõe de uma poupança considerável dos recursos narrativos em relação ao romance e um maior desenvolvimento do enredo e das personagens em relação ao conto.
Nas minhas próximas publicações de “Dicas de Escrita” irei aprofundar um pouco mais sobre a novela literária, especialmente as suas principais características, aquilo que a difere dos outros textos literários. Se desejas tentar escrever uma, as características da novela literária irão com certeza ajudar-te.
📖📖📖


SABIAS QUE…
- A palavra «novela» tem denominações interessantes nas outras línguas? No inglês, a palavra novela possui a denominação de «soap opera» e no francês «roman». E sabias que a palavra romance em inglês se diz «novel»? Interessante, não é?
😋😋😋


Bem… Por hoje é tudo!
Um abraço e até à próxima.


Borboleta Voadora
😊😊😊