terça-feira, outubro 2

Miniconto 04 – Violência e Morte




Neste Dia da Não-Violência decidi presentear-vos com um novo miniconto.
Espero que gostem.


Miniconto – Violência e Morte

O seu olhar colérico transparecia o seu verdadeiro ser, a de um animal feroz e descontrolado. Teriam sido as minhas palavras?
A realidade era dura de ouvir, mas eu, seu fiel amigo, não podia deixar que o continuassem a enganar. Seria justo perder a sua amizade por causa de uma mulher? A raiva, a violência sobressaltou-se e o sangue, jorrado pela lâmina fria e mortal, sufocou a verdade. Escolheria a mentira em vez da verdade?
Possivelmente, eu era a própria mentira, o próprio erro. Eu a tinha apresentado… Fora eu que o colocara naquela situação. A morte veio e as lágrimas dele enviaram a minha alma para a escuridão mais profunda, velozmente e sem receios!
Perdão? Talvez sim…, ou não. Qual seria a melhor opção?


FIM…
(Borboleta Voadora, Portugal, 02-10-2018)



Um abraço e até à próxima.


Borboleta Voadora
😊😊😊

segunda-feira, outubro 1

Poema – A Queda de Água




Hoje é o Dia Mundial da Música e o Dia Nacional da Água.
Já experimentaste algum instrumento musical?
E tocar junto de uma queda de água?
Sim, isso seria muito mais do que mágico!
😉😉😉


Poema – A Queda de Água

O vento soprava
com grande alegria,
e a água o acompanhava
naquela floresta nua e fria.

A queda de água, isolada,
dava início à música matinal,
que crescia, desolada,
por ninguém ouvir seu original.

Por muito tempo o fez sozinha…
Ó vento, seu grande delinquente,
acompanha a pobrezinha
que chora frequentemente!

Contrariado,
fez o que lhe foi ordenado
pela árvore mãe, sua amiga,
e hoje nem sabe assobiar
se não for naquela música
que juntos souberam criar.


Um abraço e até à próxima.


Borboleta Voadora
😊😊😊

domingo, setembro 30

Conto – A Noiva




Vamos a um novo conto? Gostas de casamentos? Eu gosto, mas serão todos alegres?
😔😔😉😁


Conto – A Noiva

Quando a música matrimonial iniciou, centrado naquele propósito familiar, as vozes silenciaram-se, como se soubessem da dor que a noiva carregava. Jamais havia conhecido o noivo… Era inevitável aquele silêncio absurdo e à medida que a noiva arrastava o longo véu branco, mais esse silencio se fazia ouvir.
O pai da noiva, saciado das suas ambições, entregou a sua filha a um desconhecido e a mãe, reservada a um canto, chorava de emoção. Ninguém pensava na noiva, na sua dor, nos seus desejos mais íntimos. Tudo tinha um propósito, tudo tinha de se cumprir.
E durante a festa, alegres com a música e com a comida abundante, risos desnecessários apagavam a existência da noiva. Estaria ali, ao lado daquele homem que agora dizia ser o seu marido?
O odor do assado e do chili inundava a divisão, e o fumo intoxicante dos vários cachimbos sobressaltavam-se. A frieza daquele sucedimento impaciente havia dissipado o calor abrasador que fazia lá fora. O vento sussurrava nas janelas, mas ninguém ouvia.
Nas profundezas da escuridão, as lágrimas jovens caiam, preocupadas com aquele futuro precipitado. Ninguém ouvia, ninguém queria ouvir… Noiva, vestida de branco, o que será de ti? Os meus olhos não te podem ver, mas compreendem-te na perfeição.


FIM…
(Borboleta Voadora, Portugal, 30-09-2018)



Um abraço e até à próxima.


Borboleta Voadora
😊😊😊