Muitos
não sabem, mas hoje é o Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação
Genital Feminina, determinado em 2003 pelas Nações Unidas.
Mas
o que é isso? Pois nada mais é do que uma prática ancestral executada em muitos
dos países espalhados pelo mundo, onde mulheres, jovens e crianças são
submetidas a uma remoção ritualista de uma parte ou de todos os órgãos sexuais
externos, impedindo-as de sentirem qualquer prazer sexual e para além disso,
conservar a submissão perante o homem.
O
procedimento realizado, normalmente, consiste na remoção total do clitóris, e
em casos mais graves, na remoção dos pequenos e grandes lábios e no fecho da
vulva. Neste último, apenas um pequeno orifício é deixado, de modo a permitir a
passagem da urina e da menstruação.
A
curto e a longo prazo, esta prática trás consequências irreversíveis para as
mulheres e a sua gravidade depende da forma como o ritual é executado – se teve
ou não a participação de um médico, o que na maior parte dos casos não acontece
(aumentando a probabilidade de contágio
de doenças transmissíveis, como a hepatite B e o vírus do HIV).
Entre
as diversas complicações associadas estão o inchaço, infeções diversas (especialmente, no local), dores, hemorragias
(que podem ser catastróficas, levando à
morte da pessoa), anemia, retenção da urina, infeções urinárias, problemas
na cicatrização, ou outros ainda mais graves, como septicemia (infeção potencialmente fatal que danifica os
tecidos e os órgãos perante uma resposta errada do corpo), fascilíte
necrosante (infeção que causa a morte dos
tecidos moles), tétano (infeção grave
caracterizada por espasmos musculares), gangrena (morte de tecidos por falta de irrigação sanguínea) e endometrite (inflamação do revestimento interior do útero).
A longo prazo, as suas consequências podem resultar em cicatrizes, queloides (um tipo de cicatrização caracterizada por
lesões grandes na pele), cistos epidermoides, entre outros.
Em
caso de gravidez e de parto, a mulher pode simplesmente não resistir.
A
mutilação genital feminina prejudica, também, a saúde emocional e até hoje,
ninguém sabe ao certo quantas mulheres morreram por causa desta prática, que não
proporciona qualquer benefício para a saúde.
Agora
vamos refletir um pouco… Esta prática não proporciona qualquer bem-estar às
mulheres, é perigoso e muitas vezes fatal. A mulher é um ser vivo, igual ao
homem, certo? Então porque é que só as mulheres têm de sofrer este tipo de invasão
pessoal? Pois se não fosse para a mulher sentir prazer, por que haveria de Deus
lhe dar esta dádiva?
A mulher sofre muito ao longo da vida, e os homens não
estão nem perto de saber o que é isso: desconfortos relacionados, cólicas
menstruais, desequilíbrios hormonais, a dor da “primeira vez”, o parto, o após
parto, a menopausa, e todas as outras dores femininas conhecidas.
Então,
se a mulher sofre tanto, porque é que ela não pode sentir prazer? A mulher não
é um objeto que está disponível para o homem! A mulher é um ser vivo, tem
sentimentos e merece ser recompensada de alguma forma. O prazer sexual não terá
sido uma recompensa dada à mulher pelo seu sofrimento natural de ser um ser
reprodutor? Se o homem pode sentir prazer, porque é que a mulher não pode? Acredito
que nunca teremos estas respostas confirmadas a 100%, mas vale sempre a pena por
estas questões na mesa e pensarmos um pouco. E mesmo que não seja uma
recompensa, a mulher tem todo o direito de ser feliz, de ser amada e respeitada.
A
mulher tem o direito de escolher a sua própria vida e de como a quer viver e
não cabe ao homem, à sociedade, à religião e a ninguém, jamais, ditar o
contrário.
Lutemos
por um futuro melhor, sem preconceito e exclusão social, onde todos somos
iguais, tanto mulheres como homens.
Bem… Hoje fico por
aqui.
Um abraço e até à
próxima.
Borboleta Voadora
😊😊😊