Com
o avanço da sociedade, envolta nas novas tecnologias (telemóveis, tablets, computadores, redes sociais, etc.), a escrita
à mão tem perdido o seu poder e encanto. A introdução das novas tecnologias facilitaram
a nossa vida, tanto a nível pessoal como profissional, mas a verdade é que elas
também têm um lado obscuro.
Repara!
Facilitaram a comunicação em tempo real com alguém que está longe, num outro
país por exemplo, mas essa mesma facilidade contribuiu para que cada vez mais
as pessoas evitem o contacto visual (agora
é tudo por mensagens de telemóvel ou facebook, até mesmo aquilo que é
importante e que devia ser dito pessoalmente).
Também
facilitaram a leitura ao permitir o transporte de vários livros, artigos,
documentos de uma só vez e num só lugar, algo bom nesta sociedade tão
competitiva, mas a claridade e a luz do visor, de qualquer aparelho, tem
contribuído para o aumento de problemas visuais e consequentemente, o uso de
óculos.
A
escrita digital não é uma exceção. Os computadores, os telemóveis e os tablets
têm contribuído para a diminuição do uso do lápis e da folha de papel, algo que
apesar de pouco percetível, tem feito muito mal ao nosso corpo. Após alguns
estudos, os cientistas chegaram à conclusão que trocar a escrita à mão pelo
teclado e pelas telas acarreta vários fatores prejudiciais, especialmente para
o nosso cérebro.
Para
teres uma pequena ideia, quando uma criança aprende e escreve à mão, ela
desenvolve três áreas importantes do cérebro: a visual (o que ela vê e o que o cérebro interpreta), a motora (o movimento coordenado da mão e dos dedos)
e a cognitiva (o pensamento, o
raciocínio, a memória, a concentração, a perceção, entre outras).
Num
todo, podemos afirmar que escrever à mão ajuda no desenvolvimento intelectual
do individuo, estimulando a atividade cognitiva do cérebro (aprendizagem, ortografia, criatividade,
memória) e no conhecimento de nós mesmos, pois quando escrevemos no nosso
diário temos mais facilidade em falar sobre as nossas emoções, sentimentos e
pensamentos, sem medos ou culpas, e o lado mais interessante disto tudo é que
quando escrevemos, temos uma maior compreensão e controlo sobre os sentimentos
mais alterados, como a raiva e a angustia – é quase como uma terapia!
A
escrita á mão proporciona diversos benefícios para a nossa saúde, para o nosso
bem-estar, e é muito triste ver que cada vez mais a sociedade dá pouca
importância ao lápis e à folha de papel.
Aprendemos
a escrever à mão, a criarmos a nossa própria caligrafia (vemos a nossa letra a evoluir e a mudar com o tempo), a nossa
própria marca, pois não existe dois indivíduos com a mesma caligrafia.
A
escrita é uma herança do tempo e da história, é algo único.
Pessoalmente,
não troco a escrita à mão pelas novas tecnologias. Sim, é verdade que são
acessíveis e que nos ajudam muito, mas possuir algo palpável ainda é
fundamental para mim. O cheiro das folhas e dos cadernos acabados de comprar, o
cheiro dos lápis afiados, as múltiplas cores das canetas, tudo tão incrível,
tão entusiasmador e que está a perder-se no tempo.
A
evolução tem facilitado as nossas vidas, mas quanto teremos de abdicar, de prejudicar
o nosso corpo para vivermos assim, tão facilmente? Vale mesmo a pena abandonar a
escrita à mão pelas novas tecnologias? A coexistência é impossível? Abdicar de
um em função do outro…
Algo
muito triste que provavelmente será a realidade dos próximos anos e neste Dia
da Escrita à Mão decidi falar um pouco sobre o assunto que se tornou contraditório.
Comenta aqui em baixo a tua opinião para debatermos. Irei de certeza
responder-te! 😉
EXTRA
Vamos
a um exercício: imagina que as
crianças de hoje começam a aprender a escrever sem o auxílio do lápis e da
folha de papel. Passados cinquenta anos, um acontecimento aleatório (neste caso, pouco importa qual) destrói
a tecnologia por completo, fazendo-a desaparecer. O que aconteceria a estes
adultos que estavam dependentes da escrita digital e das tecnologias? Deixa a
tua opinião nos comentários.
Bem,
eu fico por aqui.
Um
abraço e até à próxima.
Borboleta
Voadora
😊😊😊