Hoje trago uma pequena crónica.
Espero que gostem... 😊
Estou aqui há dias, sem fazerem uso de mim.
Os meus irmãos, felizes, comemoram junto deles as festas que fazem, todos os
dias, sem pensarem ou ao menos terem a noção da dor que estou a sentir neste
momento.
A água que escorre pela banca abaixo não é
minha, e faz tempo que não sei o que é estar molhado, a cheirar a líquido verde,
laranja ou amarelo. Como desejava voltar atrás no tempo e sentir aquele perfume
no meu corpo branco e delicado, e aquele cheiro delicioso da comida humana
acabada de sair do forno.
Todas as vezes que se saciavam de tal fome
incompreendida, sentia-me feliz, útil, totalmente realizado. A minha missão
estava sempre comprida ao final do dia, fossem as vezes que fossem!
Pobre criança, que de nada teve culpa, apenas
eu com um terrível destino! Era para ser um dia como todos os outros, ou pelo
menos, devia ter sido! Fomos todos colocados em cima da toalha branca,
afastados dos talheres barulhentos a uma posição considerável. Nada de
diferente havia dos outros dias…, mas aquele dia foi diferente!
A queda que me foi causada,
irresponsavelmente adulta, arrancou um pedaço de mim, e agora sou um rejeitado,
odiado por todos, por aqueles que não me querem e pelos meus próprios irmãos,
que não compreendem ou não querem enxergar o meu sofrimento, a minha dor, a
minha solidão.
Pela janela, neste preciso momento, vejo em
camara lenta o surgimento da noite fria, do luar e das estrelas reluzentes que
me tentam dar força para continuar a lutar, no entanto, desvaneço e choro, ao
julgar o meu futuro, triste e cru.
(Fim...)
Um abraço e até à próxima...
Borboleta Voadora
😊😊😊